Sua estratégia é global. Mas a língua na sala de reunião ainda é só o português.
É aqui que começa a contradição que este artigo quer escancarar: falar em crescimento global sem investir em inglês para liderança.
1. A incoerência silenciosa do “crescimento global”
Nos slides, está tudo lá:
- “Expansão internacional”
- “Inovação contínua”
- “Liderança global”
Mas, na prática, na hora da call com a matriz ou com o investidor estrangeiro:
- metade da liderança fica no mudo,
- um ou dois viram “tradutores oficiais” do time,
- e decisões críticas chegam “mastigadas” em PPT depois.
Premissa difícil de negar:
2. O que as Melhores Empresas já entenderam sobre liderança
O relatório Great Place to Work 2025 mostra que as empresas premiadas se destacam porque suas lideranças:
- têm mais acesso a treinamento e desenvolvimento,
- são mais bem informadas sobre decisões estratégicas,
- sentem que têm voz nas decisões que impactam seu trabalho,
- e atuam em ambientes onde reconhecimento e engajamento são consistentes.
Outro dado importante: entre as Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil, o principal motivo de permanência das pessoas é oportunidade de crescimento, acima de qualidade de vida, remuneração e benefícios.

Tradução para o mundo real:
- Gente boa fica onde enxerga futuro.
- E futuro, hoje, passa por atuar além das fronteiras do país.
3. O inglês saiu da sala de aula e entrou no boardroom
O EF EPI 2025 crava alguns pontos difíceis de ignorar:
- Proficiência em inglês está relacionada à capacidade da força de trabalho se conectar com a economia global.
- Inglês e inovação compartilham habilitadores: investimento em educação, conectividade internacional, troca de conhecimento.
- Há correlação clara entre proficiência em inglês, competitividade de talentos e desenvolvimento humano.
O relatório reforça que o inglês funciona menos como “ponto de chegada” e mais como ponte entre conhecimento global e soluções com significado local.

4. Quando a liderança não fala a língua do crescimento
Cenário 1 – A reunião traduzida
A call é em inglês. A matriz apresenta um novo plano estratégico. Seu time brasileiro:
- alguns entendem “mais ou menos”,
- outros esperam o resumo em português depois,
- um gerente vira tradutor simultâneo, em vez de participar estrategicamente.
Resultado: decisão atrasada, nuances perdidas, sensação de “não estou jogando o mesmo jogo”.
Cenário 2 – A negociação por tabela
Um fornecedor global ou parceiro estratégico quer negociar direto com a diretoria. Mas a liderança não se sente segura em inglês.
Você terceiriza, passa para outra área ou leva um “intérprete interno”. A fala final nunca é de quem realmente decide.
Resultado: autoridade percebida menor e poder de influência reduzido.
Cenário 3 – A carreira que bate no teto invisível
O executivo entrega resultado, é querido pelo time, mas evita apresentações em inglês e foge de projetos globais.
Quando a empresa abre vaga global ou posição regional, normalmente vai quem consegue performar em inglês — não necessariamente quem tem o histórico técnico mais forte.
5. A virada de chave: inglês para liderança como infraestrutura estratégica
Aqui entra a mudança de enquadramento:
- Velha visão: inglês é um benefício que a empresa oferece (como gympass ou cesta de Natal).
- Nova visão: inglês é parte da infraestrutura estratégica de crescimento, como ERP, governança e cibersegurança.
Em ambientes de trabalho colaborativos e conectados internacionalmente, o inglês permite que equipes em diferentes localidades construam entendimento mútuo, propósito compartilhado e potencializem a inteligência coletiva.
6. O que muda quando o board fala inglês – e investe em inglês para liderança
- Reuniões com matriz deixam de ser “palestra” e viram debate.
- O board brasileiro passa a puxar pauta, não só reagir.
- A empresa se sente mais confortável para assumir projetos globais.
- Talentos brasileiros ganham visibilidade no ecossistema internacional do grupo.
- A tomada de decisão fica mais rápida, porque não depende de tradução ou intermediários.
Parece “soft skill”, mas o impacto é direto em tempo, qualidade da decisão, velocidade de execução e posicionamento da empresa.
7. Por que curso genérico de inglês não resolve para liderança
O problema não é só gramática. É performance em inglês em situações de alta responsabilidade:
- conduzir reuniões difíceis,
- negociar prazos, orçamento e prioridades,
- apresentar resultados trimestrais,
- dar feedback sensível em contexto multicultural.
Isso não se treina em turma mista com adolescentes falando sobre “my last vacation”, desconectado da agenda real do executivo.
8. Intercâmbio executivo: laboratório real de liderança global
É aqui que entra o papel do intercâmbio de inglês para executivos e profissionais: não como “viagem de estudo”, mas como laboratório controlado de liderança global.
- Turmas com adultos, profissionais e executivos de vários países.
- Foco em inglês de negócios, liderança, reuniões, apresentações e negociação.
- Atividades sociais desenhadas para gerar networking internacional.
- Carga intensa de prática: o executivo sai da rotina, mas segue treinando decisões e influência — agora em inglês.
Enquanto o GPTW mostra que investir em desenvolvimento fortalece engajamento e permanência, e o EF EPI mostra que proficiência em inglês está ligada à integração global e competitividade de talentos, o intercâmbio executivo junta tudo na prática: desenvolvimento + inglês + contexto global.
9. Checklist rápido para CEOs e RH
Faça um “scan” da sua realidade hoje:
- Nossa estratégia fala em internacionalização?
- Temos clareza do nível de inglês da liderança, por cargo?
- Inglês da liderança está formalmente incluído no plano de sucessão?
- Já existe algum tipo de experiência imersiva prevista para posições críticas?
- Na prática, inglês é tratado mais como benefício opcional ou como competência esperada para liderar?
Se a maior parte das respostas for “não” ou “ainda não”: a estratégia pode até ser global, mas a liderança continua jogando um jogo local.
10. Fechando o círculo
Recapitulando as premissas:
- As Melhores Empresas retêm talentos oferecendo crescimento real, com liderança forte e desenvolvimento contínuo.
- Proficiência em inglês está ligada à capacidade de inovar, competir globalmente e integrar-se à economia internacional.
- Sua empresa quer crescer, inovar e competir além do Brasil.
Para referência, veja os estudos originais:
- Estudo GPTW 2025 – Melhores Empresas para Trabalhar
- Relatório EF EPI 2025 – English Proficiency Index