Meu corpo foi de avião. Minha alma demorou uma semana. — Fast English

Meu corpo foi de avião. Minha alma demorou uma semana.

Essa é a história do meu primeiro intercâmbio. E talvez seja a sua também.

Eu tinha inglês intermediário avançado — B2. Cinco anos de estudo ininterrupto. Notas entre 9 e 10 nas provas. Era o aluno que os professores citavam como exemplo.

E quando abri a boca no balcão de informações do aeroporto de Heathrow, ouvi a palavra que mais me assombrou durante aquele intercâmbio inteiro.

"What?"

O primeiro balcão. A primeira hora.

No balcão, avistei uma mulher nos seus 40 anos, cabelos loiros, volumosos. Lembro até hoje do rosto complacente da atendente quando perguntei onde ficava a saída. "Excuse me, where is the exit?" Uma frase simples. Estudada, correta, gramaticalmente impecável.

Ela não entendeu.

Reformulei. "I want to leave." Ela franziu o rosto por alguns segundos — e então, num esforço de generosidade, respondeu: "Ah, you mean the way out."

Saída. A mesma palavra. Outra forma. Que eu ainda não havia encontrado no caminho.

A resposta dela veio em seguida — um amontoado de sons, palavras soltas, um ritmo que meu cérebro simplesmente não conseguiu acompanhar. Sempre que ouvia aquela palavra — what — significava que o meu sistema de comunicação em inglês havia entrado em pane. E havia entrado em pane ali, no primeiro balcão, na primeira hora.

Captei duas palavras: stairs e down. Escadas e para baixo. Fui.

Quinze pessoas até a porta da Mrs. Wilson

Naquele percurso até a casa da Mrs. Wilson, em Herne Hill, devo ter perguntado para umas quinze pessoas. Não entendia nada, entendia uma palavra, um trecho, perguntava para o próximo — e assim foi até chegar ao destino. Linha por linha no mapa confuso do Tube londrino, baldeação por baldeação, até bater na porta dela.

O alívio foi físico. A primeira tarefa havia sido cumprida.

Mas meu corpo tinha chegado de avião. Minha alma demorou uma semana.

Durante os primeiros dias, misturei inglês e português em casa, na rua, na escola. O cérebro em pane constante, tentando operar num idioma que eu conhecia bem — e que, na vida real, pedia algo a mais.

O segundo alívio: o primeiro dia de aula

Olhei ao redor e vi alemães, japoneses, italianos, brasileiros — todos passando pelas mesmas situações que eu. Todos bem preparados. E todos descobrindo, ali, a mesma coisa: estar preparado no papel e funcionar quando não há para onde correr são duas coisas diferentes.

Fazer um intercâmbio, principalmente na primeira vez, vai muito além de aprender inglês. Envolve um aprendizado riquíssimo de conviver com pessoas de diferentes culturas. Te impõe uma flexibilidade, uma resiliência que parece não se desenvolver quando estamos entre os nossos iguais. O fuso é diferente, a comida é diferente, a maneira de falar é diferente, a visão de mundo que compartilhamos é diferente.

E ali, naquele primeiro dia de aula, entendi algo que a experiência confirma, mas que dificilmente se antecipa antes de embarcar.

Não era falta de estudo. Não era falta de talento. Meus cinco anos não foram em vão — eles construíram o inglês que eu sabia.

O que faltava não era mais uma dose do mesmo. Era o único lugar onde não existe a opção de voltar pro português, de baixar o risco, de se refugiar na sala segura. A sala de aula treina o inglês que você sabe. Londres treinou o inglês que sai na hora.

Não era o degrau seguinte de um mesmo caminho. Era outro jogo — o único onde não dá pra voltar pro português.

Você que já fez sua primeira viagem internacional sabe exatamente do que estou falando.

E você que ainda não fez — esse perrengue que descrevi não é motivo para adiar. É o argumento mais honesto que conheço para antecipar.

O travamento passa. A alma chega. E quando chega, o inglês que você volta a falar nunca mais é o mesmo.


Me conta: qual foi o seu momento "what?" — no aeroporto, na reunião, na primeira vez que o inglês real encontrou o inglês que você havia construído até então?

Consultor, não vendedor

A pergunta não é se você estuda o suficiente. É se o seu inglês já passou pelo único lugar onde não dá pra voltar pro português.

Eu não vendo programa. Eu avalio o seu nível real — como faço nas avaliações corporativas — e te digo, com honestidade, o que faz sentido para o seu momento. Se for imersão, a gente conversa. Se não for, eu falo também.

Falar com o Paulo
Paulo César Vicente

Fundador da Fast English. Há 30 anos prepara sócios, diretores, RHs e profissionais em ascensão no inglês que o trabalho exige — do travamento ao inglês que conduz a reunião e fecha o negócio. Trabalha com quem se prepara para um cargo maior, com quem já ocupa uma posição internacional e quer falar com mais peso, e com quem sente que não sai do intermediário mesmo depois de anos estudando.